O BRASIL NO PÓS GUERRA
Após
a deposição de Getúlio Vargas em 1945, o Brasil passará por um curto período de
suposta democracia, já que dentro da lógica da guerra fria, o Partido Comunista
ficará na clandestinidade a partir de 1947.
Este
período será marcado pelo populismo, não só no Brasil mas, em toda América
Latina.
*
Populismo: fenômeno político que marcará a América Latina por quase todo século
XX. Consiste no aliciamento das classes mais baixas, com programas de ajuda imediata, que não são capazes de
fornecer o crescimento dessas classes e sua saída da eterna dependência de
programas “sociais”.
No
Brasil, os governos que se seguiram foram todos populistas.
1946/1950-
Eurico Gaspar Dutra: governa no início da guerra fria, em 1947 rompe relações
diplomáticas com a URSS, e coloca o PCB na clandestinidade. Dutra intervém
diretamente nos sindicatos, proibindo greves, não atende as necessidades do
trabalhador rural, que como forma de luta cria as Ligas Camponesas, brigando
pela reforma agrária.
1950/1954-
Getúlio Vargas: a volta triunfal de Vargas ao poder, como presidente eleito
pelo maior número de votos até hoje da história brasileira. Entre 1950 e 1951,
Vargas adota inúmeras medidas para o país crescer. Para tanto cria o BNDE (Banco
Nacional do Desenvolvimento Econômico), com o objetivo de aplicar os recursos
públicos na pequena e média empresa.
Entre
1952 e 1953, descobrem-se às primeiras reservas de petróleo no Brasil, os
americanos tentam se apoderar dessa fonte de riqueza, mas a campanha pelo
petróleo é nosso, ganha força e Vargas funda a Petrobrás. Desagrada os
americanos, que iniciam então uma campanha para derrubá-lo do poder.
O ano
de 1953, é marcado por forte oposição da UDN (União Democrática Nacional),
partido ultraconservador, que apóia os interesses americanos no Brasil, ao
governo Vargas. Além disso, a oposição acusa Vargas de dar grande apoio à
classe trabalhadora, o que faz crescer a influencia do PCB no campo
trabalhista. O principal opositor é o jornalista Carlos Lacerda, que sofre um
atentado em Copacabana. Todas as evidências do atentado recaem sobre Getúlio
Vargas Não vendo outra alternativa,Vargas suicida-se em 24 de agosto de 1954.
1954/1956-
Café Filho: vice de Getúlio teve grandes problemas para governar, inclusive de
saúde, afastando-se inúmeras vezes do cargo, sendo substituído pelo pres. da
Câmara. Em 1956, respeitando a Constituição é realizada nova eleição.
1956/1960-
Juscelino Kubitschek: JK chega ao poder depois do frágil governo de café Filho,
as forças da UDN tentaram um golpe para impedir a posse de JK, mas o gen. Henrique Lott, ocupou a cidade com
tanques de guerra garantindo a posse do presidente eleito.
O
governo JK é marcado pelo Plano de Metas, que acelerou a industrialização no
Brasil, mas também entregou abertamente a economia ao capital estrangeiro. JK é
o autêntico populista. No seu Plano de Metas está incluído setores de energia e
transporte, porém no campo nenhuma alteração, a situação é de penúria com os
grandes latifundiários dando as cartas. As Ligas camponesas continuam sua luta
pela reforma agrária.
A
marca do governo JK é a construção da cidade de Brasília, a nova capital
federal.
1960/1961-
Jânio Quadros: Jânio chega à presidência
com a campanha da vassoura, que visava limpar toda a corrupção do país. Porém,
Jânio se aproxima da URSS, e de Cuba, que tinha se tornado socialista em 1959,
após a revolução liderada por Fidel Castro e Che Guevara. Guevara é condecorado
com a medalha Ordem do Cruzeiro do Sul,
e João Goulart, seu vice, é enviado à China, também comunista, em missão
diplomática. Nada disso agradava aos americanos, estávamos em plena guerra
fria.
Na
política interna, desvalorizou a moeda e congelou salários para conter a
inflação.
Com
forte oposição no Congresso, Jânio renunciou, sete meses após as eleições.
1961/1964-
João Goulart: Goulart estava na China, quando Jânio renunciou. Numa manobra da
UDN em conjunto com as forças Armadas, tentaram impedir a volta do vice ao país
e sua subida ao poder. No Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, governador do
estado e as tropas do Terceiro Exército ameaçou resistir caso a constituição não fosse respeitada. Desta
forma João Goulart pode voltar ao país e assumir a presidência. Porém, o
Congresso aprovou a emenda que transformava o país em Parlamentarista.
A
idéia não vingou e em 1963, um plebiscito trouxe de volta o presidencialismo ao
Brasil.
Jango,
não consegue a confiança nem das elites e nem do povo, seu governo é frágil,
além de não realizar a tão sonhada reforma de base.
As
reformas de base era um conjunto de mudanças que Jango queria impor ao Brasil,
tais como: nacionalização de empresas, reforma agrária, reforma na educação,
voto aos analfabetos e militares de baixa patente e imposto progressivo sobre a
renda. Essas reformas abalariam o poder das elites e nada interessavam aos norte
americanos.
No
dia 13 de março de 1964, Jango realizou um comício na Central do Brasil, aonde
prometeu realizar tais mudanças, em 19 de março, as forças reacionárias
promoveram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Estava lançada as bases
para o golpe militar.
Em 31
de março, apoiado pela CIA, o Exército toma a capital do país, depondo o
presidente João Goulart, prendendo todos os membros do governo. Estava iniciada
a Ditadura Militar no Brasil.
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