Ao
fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo assistirá a um longo conflito ideológico
entre as duas maiores potências do pós-guerra: EUA e URSS.
O
confronto de interesses e de ideologia política dessas duas nações entre
1945/1990 serão responsáveis por vários conflitos em todos os continentes do
Planeta. Afinal, quem dominasse mais teria o melhor mercado consumidor.
A
Guerra Fria
Durante
a II Guerra, a URSS avançou e libertou todos os países do leste europeu, com
isso o país emergia no pós-guerra como uma das maiores potências militares e
políticas do mundo.
Os
países de economia capitalista alarmados com esse crescimento, a tal ponto de
Churchill declarar em 1945: “ A ameaça soviética, no meu entender, já tomou o
lugar o inimigo nazista”.
Para
os defensores do mundo capitalista, os temores de Churchill não eram
infundados. O comunismo realmente avançara pela Europa, não só no Leste, mas
também em países tradicionalmente capitalistas, tais como: França, Itália e
Grécia. Era preciso conter esse avanço.
No
caos econômico que a Europa estava ao final da II Guerra, os americanos
avaliaram que só seria possível evitar o comunismo através de ajuda financeira.
Neste aspecto, os americanos tinham razão, por isso foi elaborado um plano de
ajuda para reerguer a Europa.
Em
1947, o economista Geoge Mashall, secretario de estado norte-americano,
elaborou o Plano Mashall. Esse plano tinha como meta investimento na reconstrução
das cidades e das economias dos países envolvidos no conflito.
Longe
de ser um plano de ajuda desinteressada, o Plano Mashall, tinha claro o
propósito de intervir diretamente na economia européia. Além de expandir a
própria economia norte-americana.
No
Japão, também foi aplicada ajuda para a reconstrução do país, afinal depois de
duas BAs, era necessário deter o ódio dos japoneses pelos americanos.
Os
Conflitos Gerados Pela Guerra Fria
A
Disputa por Berlin
A
disputa por Berlin no final da II Guerra, a Alemanha ficou dividida em 4 zonas
de influência. Berlin havia ficado com os Soviéticos, porém suas ferrovias e
rodovias eram controladas pelos países capitalistas. Para forçar a saída desses
países de Berlin, Stalin ordenou o bloqueio das estradas, mas o trafego aéreo
funcionava normalmente o que fez com que o bloqueio não funcionasse.
Durante o bloqueio, as potências unificaram suas zonas de
ocupação e formaram a República Federal da Alemanha (RFA), com capital em Bonn.
Criaram ainda, em 1949, a OTAN ( Organização do Tratado do Atlântico Norte),
que tinha como principal objetivo uma aliança militar para defender os povos da
ameaça soviética. Essa aliança era liderada pelos EUA. Neste bloco estavam,
Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Itália, Canadá, Grécia, Portugal, Noruega
e outros.
A
URSS, organizou sua área de comando formando a República Democrática Alemã
(RDA), com capital em Berlin. Como resposta a OTAN, a URSS cria o Pacto de
Varsóvia, em 1955, que tinha como principal objetivo ajuda mútua em caso de
agressão armada, consulta sobre problemas de segurança e questões políticas. Neste
bloco estavam: URSS, Techeslováquia, Iuguslávia, Polônia, Hungria, Romênia e
Alemanha Oriental.
Berlin
voltaria ao cenário Universal em 1961, quando a URSS constrói o Muro de Berlin, fechando a fronteira entre
a RDA e a RFA. O muro será o símbolo máximo da divisão do mundo.
A
Guerra da Coréia
Outro
confronto que envolveu os dois blocos econômicos foi a Guerra da Coréia. Durante
a II Guerra, a Coréia esteve sob o domínio do Japão, e na divisão do pós guerra
ficou dividida em duas. O norte com influencia Russa, e o sul sob influencia
norte-americana.
Em
1950, o norte invadiu o sul, com o propósito de unificar o país. Forças da ONU,
composta por soldados americanos rechaçaram a invasão e atacaram o norte.
O
conflito durou três anos, e terminou empatado. A Coréia segue dividida em duas
até hoje.
Revolução
Cubana
Na
década de 1950, Cuba dependia dos EUA inteiramente, toda sua produção de
açúcar, principal produto de exportação da ilha ia para os americanos. Pouco
industrializado Cuba importava tudo dos americanos. Os reflexos disso era
miséria, analfabetismo, péssimas condições de higiene e saúde. Em 1952, através
de um golpe de estado, Fulgênio Batista assume o poder, cancela a Constituição,
e entrega de vez o país aos americanos.
Com
graves problemas de corrupção, o jogo e a prostituição atraiam os turistas
norte americanos, que fizeram da ilha seu balneário.
Em
1953, Fidel castro tenta derrubar o governo ditador, mas fracassa e é preso. Em
1956, anistiado Fidel segue para o México, aonde conhece Che Guevara. Os dois organizam um grupo de 72 homens e
seguem para Cuba. No desembarque são atacados e refugiam-se na floresta de
Sierra Maestra. Apoiados por camponeses e militantes urbanos, o movimento
guerrilheiro cresceu.
Em
1959, liderados por Fidel, os guerrilheiros chegam a Havana, derrubam Fulgêncio
e instalam o primeiro governo socialista na América.
O
governo desapropriou os grandes latifúndios e nacionalizou empresas, muitas
delas norte-americanas.
Em
1962, um grupo de exilados tentam
retornar a Cuba, com o apoio da CIA, mas foram derrotados na Baía dos Porcos. Neste
mesmo ano os EUA rompem relações diplomáticas coma Ilha, isolada no continente
americano, Cuba se aproxima da URSS e da China, e recebe do governo Soviético
mísseis de longo alcance para se protegerem de possíveis invasões dos
americanos. O presidente Kennedy ameaçou invadir a ilha, e Fidel ameaçou mandar
os mísseis direto para Miami. A URSS, retira os mísseis da Ilha e os americanos
a expulsa da OEA (Organização dos Estados Americanos), decretando o bloqueio
econômico a Cuba.
Revolução
Chinesa
A
China era dominada pela Inglaterra desde 1860, quando saiu derrotada na Guerra
do Ópio 1840-1860. Durante a II Guerra, foi invadida pelo Japão, porém sempre
houve movimentos nacionalistas na China, que lutavam pela independência total do país.
Em
1946, a Inglaterra se retira da China. Os americanos colocam no poder o ditador
Chang Kai-Chek. O Exército de Libertação Nacional, liderados por Mao Tsé Tung,
inicia-se uma batalha interna para derrubar o governo, com a ajuda da URSS, o
governo de Kai-Chek é deposto. Nasce a República Popular na China.
Mao
Tsé Tung promove a coletivização das terras, reunindo os camponeses em
cooperativas, em 1958 lançou o programa Grande
Salto Para Frente, que pretendia
aumentar a produção agrícola, mas medidas erradas, como combater os pardais que
se alimentavam dos grãos de arroz, mas também combatiam os gafanhotos, praga
natural dos arrozais. O programa foi um fiasco, pois acabou acarretando
escassez de alimentos, fome e morte no campo.
Enfraquecido
politicamente, após o fracasso do grande Salto e do afastamento da URSS, por
problemas políticos, Mao Tse Tung, deflagrou a Revolução Cultural, em
1966.
Entre
1966-1976, a China mobilizada pela juventude, perseguiu, prendeu e matou todos
que se atrevessem a discordar do governo. Na prática Mao Tse Tung lançou à
China em uma ditadura igual à Soviética dos tempos de Stálin. Economicamente
frágil e politicamente confusa, a China segue sem liberdade até hoje.
Independência
da Índia
Durante todo século XIX e boa parte do século XX, a
Inglaterra reinou absoluta na Ásia, e a Índia era a sua colônia mais rica. A
partir de 1885, alguns hindus que haviam estudado na Europa iniciaram um longo
e penoso processo de independência que só finalizaria em 1947.
Nos
anos 20, Mahatma Gandhi, defensor de métodos pacíficos e da desobediência
civil, começou sua luta através do boicote aos produtos ingleses e o não
pagamento de impostos. A reação inglesa foi severa com o uso da violência, o
que acarretou muitas mortes. Isso desmoralizava a Inglaterra no cenário
mundial.
Com
essa estratégia, e com o enfraquecimento inglês após a guerra, a Índia
conseguiu sua independência em 1947, porém isso não garantiu crescimento e
liberdade ao país.
Fechado
em castas e com vários grupos étnicos e religiosos, a Índia não atingirá o
desenvolvimento sócio-econômico, e muito menos industrial.
Hoje
a índia vive problemas de território com o Paquistão, na região da Cachemirra.
Bangladesh e o Sri Lanka não se reconhecem como territórios indianos, o que
acirra ainda mais as disputas territoriais dentro da região.
Guerra
do Vietnã
A
Indochina, localizada no sudoeste da Ásia, foi dominada pelos franceses durante
todo século XIX. Durante a Segunda Guerra, o Japão ocupou a região, e com o fim
do conflito essa área seria disputada por todos os aliados.
Liderados
por Ho Chi Min, os comunistas proclamaram a independência do país, no entanto a
França não reconheceu a independência, e em 1946 teve início uma guerra entre a
França e a Indochina, aonde a França sairia derrotada em 1954.
No
mesmo ano a Conferência de Genebra, na Suíça, dividiu a região em três estados
independentes: Laos, Camboja e Vietnã. O Vietnã ficou dividido em dois: norte,
capital Hanói sob o comando dos comunistas e o sul capital Saigon, capitalista.
Em Genebra ficou acertado que haveria eleições, e o povo decidiria o futuro do
país.
Com
medo da vitória comunista, os norte-americanos não permitiram que as eleições
acontecessem. Os vietnamitas que viviam na parte sul, mas eram comunistas
organizaram a Frente de Libertação Nacional, com o objetivo de unificar o país.
Os
EUA intervieram militarmente para evitar a unificação, é neste contexto que
entre 1963-1973, um longo e sangrento conflito ocorreu na região, e o primeiro
com presença real dos americanos.
O
Vietnã recebeu apoio da URSS, China, Coréia e Cuba, e mesmo tendo supremacia
bélica, os americanos amargaram derrotas vergonhosas.
Esse
foi o primeiro conflito armado, a ser mostrado na TV, o que gerou na opinião
pública mundial grande desconforto, e a própria população americana se colocou
contra a guerra.
Em
1973, esgotados os EUA saem do Vietnã derrotados, e o país se unifica sob a
influência socialista.
Conflito
Árabe-Israelense
No
Oriente Médio, o processo de descolonização foi um dos mais longos. A principal
causa foi à criação do estado de Israel dentro do território da Palestina em
1947.
Após
a Primeira Guerra, com o desmembramento do Império Otomano, o Oriente Médio
ficou sob o controle da França e Inglaterra e após a Segunda Guerra, dentro do acordo
de desocupação, os países foram conquistando suas independências: Líbano 1941,
Síria e Jordânia 1946 e o Kuwait 1961.
A
Palestina continuou sob a influência inglesa, tanto que em 1918 a Declaração de
Balfour, um compromisso do governo inglês em criar um estado judaico.
As
primeiras décadas do Século XX, foram marcadas por um fluxo imigratório cada
vez maior de judeus na região, que se assentaram em territórios da Palestina.
Essas pessoas eram estimuladas e financiadas pelo movimento sionista, cujo
principal objetivo era a criação do Estado de Israel.
Após
a II Guerra, e os horrores dos campos de concentração nazistas, a ONU conseguiu
com a autorização dos americanos e soviéticos, dividir a Palestina para
formação do Estado de Israel. Assim, em 1948, é criado o Estado de Israel, com
capital em Telavive.
As
tensões nunca diminuíram na região, Israel, financiado pelos EUA, que até hoje
tem muito interesse na região, partiu para expansão territorial, fugindo em
muito, do traçado original da ONU, não só expandindo-se dentro das terras
palestinas, mas também ocupando territórios da Síria, Jordânia e Egito, na
Guerra dos Seis Dias em 1967.
Nas
décadas de 1960 e 1970, a região foi palco de várias ações bélicas. Em 1964,
Yasser Araf cria a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Vários
acordos foram tentados na década de 1990.
Em
2004, Araf morre sem ter conseguido legitimar o Estado da Palestina.
África
Portuguesa
Um
dos últimos impérios coloniais a ruir dentro da Guerra Fria foi o português na
África.
Desde
1950, havia movimentos separatistas em Moçambique, Angola e Guiné. Porém
somente em 1974, o regime salazarista foi derrubado em Portugal pela Revolução
dos Cravos, iniciando uma nova política para as colônias africanas portuguesas.
Neste
ano, Portugal reconheceu a independência da Guiné Bissau, em 1975 de
Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.
Porém,
os estragos sociais e econômicos levaram esses países a atritos internos. Angola
mergulhou numa guerra civil entre forças socialistas e capitalistas, que durou
até 2002.
A
Guerra Fria na América Latina
Os
ingleses dominaram o cenário internacional desde o início do século XIX até a II
Guerra. Ao final da Guerra, a Inglaterra perde sua hegemonia política e
econômica, o espaço agora é dominado pelos EUA. A Doutrina Monroe será aplicada na íntegra
dentro do continente americano.
Construção
do Canal do Panamá
Os
EUA tinham interesse em abrir um canal marítimo que facilitasse o escoamento de
produtos para Europa através do Oceano Atlântico. O lugar escolhido foi a
América Central, mas precisamente o Panamá, aonde a Colômbia já havia iniciado
obras. Os americanos provocaram a falência da empresa construtora e compraram
os direitos da obra da Colômbia, que impôs várias restrições aos americanos.
Para acabar com os problemas, os americanos insuflaram a independência do
Panamá em 1903. Liberto o novo país não só permitiu a construção do canal que
ficou pronto em 1914, como também sua exploração perpétua pelos americanos.
Em
1977, iniciaram as negociações pela devolução do canal ao Panamá, porém o Canal
só foi devolvido em 2000.
A
Guerra Fria e as Ditaduras Militares na América Latina
Entre
1950 e 1960, a Guerra Fria provocou o acirramento das tensões em várias regiões
do mundo. Na América latina, esse clima beligerante chegaria após a Revolução
Cubana de 1959, pois os EUA passaram a intervir em todo e qualquer país que se
aproximasse dos ideias marxistas.
EL
Salvador: é um pequeno país da América Central, cuja base econômica é a agricultura.
Em
1932, um levante popular liderado por Farabuto Martí tentou implantar o
comunismo no país mais foi sufocado. Nos anos seguintes o país viveu períodos
de democracia e ditaduras.
Na
década de 1970, grupos de extrema direita e guerrilheiros marxistas travaram
uma guerra civil no país.
Nos
anos 80, a guerra tomou proporções de genocídio, e a ONU interviu, os EUA
financiavam os contra-revolucionários. Somente em 1990, a ONU consegue um
cessar fogo pondo fim a uma guerra civil que deixou um saldo de 75 mil mortos.
Nicarágua:
nos anos 70, com apoio dos militares e dos americanos, a família Somoza governa
o país. Mergulhado em corrupção e miséria a Nicarágua parecia o quintal dos
americanos. No interior do país a frente sandinista de Libertação nacional,
travava pequenas lutas de guerrilha. Em 1990, a guerrilha depôs o presidente
Somoza, mas a presença americana prejudicava o desenvolvimento do país. Somente
em 1990, a Nicarágua pode organizar uma eleição livre, quando sobe ao poder
Daniel Ortega, líder da guerrilha sandinista.
Chile:
O Chile sempre foi governado pelas elites agrária, que com governos populistas
levavam a população dentro de um padrão social, melhor do que os demais países
da América Latina.
As
eleições de 1970 levam ao poder o presidente Salvador Allende, que não chegava
a ser um comunista, mas defendia a autonomia chilena. Algumas medidas adotadas
por Allende, tais como: nacionalização das minas de minério de ferro e reforma
agrária, desagradaram os americanos. A CIA infiltrada no país apóia o golpe de
estado comandado pelo gen. Augusto Pinochet.
Allende
é assassinado e o país mergulha numa das mais ferozes ditaduras da América do
Sul.
Somente
em 1988, Pinochet é deposto e acusado pelos crimes de assassinato,
desaparecimento e atentados dentro e fora do país a dissidentes.
Argentina:
governada por Juan Domingos Perón, um populista que se dizia acima do
capitalismo e do comunismo. A Argentina mergulhará numa ditadura militar em
1973, ano da morte de Perón. Financiados pelos americanos, os militares
argentinos sufocam qualquer tipo de esquerda no país.
Somente
em 1983, com o fiasco da Guerra das Malvinas é que os militares são depostos no
país.
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